Há pessoas que necessitam de tempo e espaço para revisar e ela mesma julgar se sua estadia nesse mundo está promovendo um bem a sua volta e a si mesmo. No meu caso esse tempo e espaço se promoveu conforme o desejado, mas o inesperado aconteceu, eles tomaram vida própria. Mesmo não passando a maior parte do dia sem companhia, fisicamente sinto elas ao meu redor mas mentalmente há apenas minha pessoa e mais ninguém. As relações simples se estendem como normais, tanto no lar como em outras instituições, mas não estou no mesmo plano nem tanto no mesmo pensamento. Apenas observo, não a sociedade, mas o que coexiste por trás dela. Fico imaginando...imaginando não, pensando...pensando no que posso fazer para terminar de vez com essa solidão involuntária e prosseguir numa vida um tanto normal. Mas se me desligar desses pensamentos que me tomam conta no momento, acredito que não estarei sendo sensato e justo comigo mesmo, não posso idolatrar e adotar uma vida que as relações sociais estabelecidas até hoje definem o que "necessito" para levar uma vida normal. Não há de ser assim, a consciência que deve definir a relação com o outro e não o contrário. Acho que essa solidão se estende por eu inconscientemente não querer abandoná-la, mas espere, pensando assim já abandonei o inconsciente para o consciente, pois não há como estabelecer as idéias que pairam na inconsciência. Há quem fala que estou estranho, incomunicável, indiferente, mas na verdade ultimamente não há o que se falar nem tão pouco o que se fazer para e com as pessoas que mesmo se esforçando e tentando entender o que realmente acontece comigo, terão suas ações sido em vão. Acredito que família e amigos sempre serviram para mascarar esse meu inevitável estado, ou até mesmo podem ter sido os responsáveis por torná-lo real. Realmente não há culpado por me induzir a essa fase, mas há o meu "ser" que trava uma luta incessante com meu "seja". Lembrando que não me falta nada, mas ao mesmo tempo me falta tudo e mais um pouco, apenas tente entender...espere, não há como isso ocorrer. Contudo eu continuo sendo o mesmo, mesmo não sendo eu.